As autoridades norte-americanas iniciaram uma investigação exaustiva para determinar as causas do acidente com o avião de carga da UPS, ocorrido na terça-feira perto do Aeroporto Internacional Muhammad Ali, em Louisville (Kentucky). O desastre, provocado pela separação de um motor durante a descolagem, causou pelo menos 12 mortos e destruiu vários edifícios e negócios nas imediações.
Mais de 20 técnicos e investigadores do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) deslocaram-se ao local para recolher destroços e indícios que possam explicar o que levou ao acidente. Um relatório preliminar deverá ser divulgado dentro de 30 dias, mas as conclusões finais poderão demorar entre 18 e 24 meses, segundo o advogado e ex-navegador da Força Aérea dos EUA Jim Brauchle.
A primeira fase passa por mapear o campo de destroços, que se estende por cerca de 800 metros. Especialistas salientaram que, tal como em outros grandes desastres, será usada tecnologia avançada de mapeamento digital para localizar e catalogar cada fragmento do avião.
O governador do Kentucky, Andy Beshear, decretou luto oficial e pediu à população que evite a zona do acidente, onde o cenário foi descrito como “apocalíptico” por vários responsáveis locais. Apesar do impacto e do fogo intenso, não havia carga perigosa a bordo, mas as autoridades continuam a monitorizar a qualidade do ar e possíveis riscos biológicos.
Segundo as autoridades, o motor esquerdo do McDonnell Douglas MD-11 soltou-se durante a descolagem, de acordo com imagens de videovigilância do aeroporto. Essa falha poderá ter danificado o depósito de combustível da asa, originando o incêndio e a subsequente perda de controlo da aeronave.
Os investigadores vão analisar os suportes e parafusos de fixação do motor, bem como os registos de manutenção mais recentes.
As autoridades pediram ainda à população que comunique a descoberta de qualquer fragmento de destroços, uma vez que peças do motor poderão ter sido projetadas a vários quilómetros do local do impacto.
As equipas de resgate já recuperaram as caixas negras — o gravador de voz do cockpit e o registador de dados de voo —, que serão analisadas em Washington, D.C.. Estes dispositivos, que sofreram danos térmicos mas permaneceram intactos, deverão revelar as comunicações da tripulação e os parâmetros técnicos do voo nos segundos que antecederam o acidente.
Os investigadores concentram-se agora em três frentes: o ambiente, os pilotos e a aeronave. Como as condições meteorológicas eram favoráveis, o foco recai sobre o avião e a sua manutenção.
Serão recolhidos todos os registos de manutenção e revisão da aeronave, verificando quem executou os trabalhos, que peças foram substituídas e quais os procedimentos seguidos. A UPS garantiu que não foram realizados trabalhos de manutenção imediatos antes do voo e que a descolagem decorreu sem atrasos, mas essas informações serão verificadas independentemente.
Fotografias do local mostram o motor separado do restante destroço, confirmando que a falha ocorreu antes do impacto final, o que, segundo os peritos, retirou aos pilotos qualquer hipótese de controlar a aeronave.
Enquanto o processo de investigação prossegue, as famílias das vítimas aguardam respostas sobre um dos acidentes aéreos mais graves dos últimos anos nos Estados Unidos.
