A administração de Donald Trump anunciou uma redução de 10% no tráfego aéreo em 40 dos principais aeroportos norte-americanos, numa medida inédita motivada pela prolongada paralisação do governo federal, que já dura 37 dias — a mais longa da história dos Estados Unidos.

De acordo com a Administração Federal de Aviação (FAA) e o Departamento dos Transportes (DOT), a decisão visa aliviar a pressão sobre os controladores de tráfego aéreo, que não recebem salário desde meados de outubro.

Segundo o The New York Times, as companhias aéreas têm apenas 36 horas para ajustar os seus horários antes da entrada em vigor da medida, na sexta-feira, 7 de novembro, o que deverá obrigar ao cancelamento de cerca de 4.000 voos por dia — precisamente no início do período de maior movimento da época do Dia de Ação de Graças.

O secretário dos Transportes, Sean Duffy, afirmou que as restrições poderão ser levantadas assim que o Congresso chegar a um acordo para reabrir o governo. Duffy responsabilizou os Democratas pelo impasse, enquanto estes acusam os Republicanos de bloquearem negociações relacionadas com o financiamento da saúde pública.

Atualmente, mais de 13 mil controladores aéreos e 50 mil funcionários da Administração de Segurança dos Transportes (TSA) continuam a trabalhar sem remuneração, o que tem acentuado preocupações com a segurança e os recursos humanos no setor.

Reação das companhias aéreas

A United Airlines confirmou que irá cumprir a diretiva da FAA, concentrando os cortes sobretudo em voos regionais e domésticos fora das suas principais ligações de hub.

Numa mensagem interna, o CEO Scott Kirby sublinhou que a segurança permanece a prioridade máxima da companhia:

“O objetivo da FAA é aliviar a pressão sobre o sistema de aviação para que possamos continuar a operar em segurança. Essa é também a nossa prioridade”, afirmou.

Apesar das reduções, a United e as suas subsidiárias United Express continuarão a operar cerca de 4.000 voos diários. As ligações internacionais e entre hubs não serão afetadas. A transportadora também anunciou reembolsos integrais e remarcações gratuitas, mesmo para bilhetes não reembolsáveis.

A American Airlines emitiu um comunicado semelhante, referindo estar a aguardar mais orientações da FAA, mas antecipando que “a grande maioria dos voos deverá manter-se operacional”.

“Devido à paralisação do governo e à escassez nacional de controladores aéreos, a FAA determinou que as companhias reduzam as suas operações para garantir a segurança do espaço aéreo a partir de 7 de novembro”, indicou a empresa, apelando ainda a uma “resolução imediata do bloqueio político em Washington”.

Com a crise a prolongar-se e milhares de trabalhadores essenciais sem receber, cresce a pressão para que a Casa Branca e o Congresso encontrem uma saída para o impasse que ameaça paralisar ainda mais o sistema aéreo norte-americano.