As ações da easyJet subiram até 12% após surgirem rumores de que o Mediterranean Shipping Company (MSC), um dos maiores grupos mundiais de transporte marítimo e logística, poderia estar a preparar uma proposta de aquisição — total ou parcial — da transportadora aérea de baixo custo britânica.
A notícia foi avançada pela imprensa italiana, nomeadamente pelo Corriere della Sera, que citou fontes próximas das alegadas negociações. O grupo suíço MSC, sediado em Genebra e controlado pela família italiana Aponte, conta com uma frota de cerca de 600 navios de carga e passageiros e emprega aproximadamente 100 mil pessoas em 155 países. É mais conhecido do público pela sua divisão de cruzeiros, MSC Cruises.
A MSC negou “qualquer envolvimento neste assunto”, enquanto a easyJet optou por não comentar os rumores. Ainda assim, o simples rumor foi suficiente para impulsionar o valor da empresa na Bolsa de Londres, elevando a sua capitalização de mercado para cerca de 3,6 mil milhões de libras (aproximadamente 4,8 mil milhões de dólares).
Esta não seria a primeira vez que a MSC manifesta interesse no setor da aviação. Em 2022, o grupo chegou a negociar, em parceria com a Lufthansa, uma proposta de compra da italiana ITA Airways — sucessora da Alitalia —, embora tenha acabado por abandonar o processo antes da conclusão do acordo.
A easyJet, fundada em 1995 por Stelios Haji-Ioannou, aproxima-se do seu 30.º aniversário e consolidou-se como a segunda maior companhia aérea low-cost da Europa, atrás apenas da Ryanair. No entanto, alguns analistas têm levantado dúvidas sobre o seu potencial de crescimento num mercado europeu cada vez mais competitivo e saturado.
Nos últimos meses, especulou-se igualmente sobre uma eventual fragmentação da empresa, com diferentes grupos a assumirem as operações da easyJet em países específicos — como a British Airways em Londres Gatwick, e o grupo Air France–KLM em França e na Suíça.
Apesar dos desmentidos oficiais, os rumores em torno da possível aquisição pela MSC mantêm-se sob atenção de investidores e reguladores europeus, sobretudo devido à importância estratégica da easyJet nas principais rotas e aeroportos do continente.
A companhia britânica reportou em 2024 um lucro antes de impostos de 602 milhões de libras, sobre receitas de 9,3 mil milhões, e afirmou em maio deste ano estar no caminho para ultrapassar mil milhões de libras de lucro a médio prazo.
