Um tribunal de recurso francês abriu esta segunda-feira um novo julgamento contra a Air France e a Airbus, mais de 16 anos após a tragédia do voo AF447, que caiu no oceano Atlântico a 1 de junho de 2009, provocando a morte das 228 pessoas a bordo.

O caso já tinha sido julgado em 2023, quando ambas as empresas foram absolvidas da acusação de homicídio involuntário, apesar de o tribunal ter identificado várias falhas de segurança tanto na companhia aérea como no fabricante europeu.

A decisão de avançar agora com um novo processo surge após a contestação das famílias das vítimas, que continuam a exigir responsabilização criminal.

Pontos principais

O Airbus A330 despenhou-se durante uma tempestade noturna na rota Rio de Janeiro–Paris.

As investigações concluíram que houve falhas na leitura dos sensores de velocidade (pitot probes), que congelaram, e erros na reação da tripulação, conduzindo a uma perda aerodinâmica fatal.

O julgamento anterior reconheceu atos de negligência por parte da Airbus e da Air France, mas considerou que não existia um nexo de causalidade direto com o acidente.

O novo processo deverá prolongar-se por cerca de dois meses de audiências, com declarações dos atuais presidentes da Airbus e da Air France.

Apesar de a multa máxima por homicídio involuntário em França ser de apenas 225 mil euros, este novo julgamento é considerado essencial para as famílias, que veem nele uma oportunidade de justiça simbólica e de manter viva a memória das vítimas da maior tragédia aérea da história recente francesa.