A Autoridade da Aviação Civil da Nigéria está a analisar a possibilidade de certificar o COMAC C919, avião de corredor único desenvolvido na China, para operações domésticas no país. A informação foi confirmada pelo diretor-geral, Capitão Chris Ona Najomo, à Reuters, à margem da Assembleia da ICAO, em Montreal.
O C919, produzido pela estatal chinesa COMAC, foi concebido para competir diretamente com o Airbus A320 e o Boeing 737, mas enfrenta desafios devido à falta de certificações ocidentais e a atrasos nas entregas.
Mercado em crescimento
Com 230 milhões de habitantes, a Nigéria é o país mais populoso de África e apresenta um mercado aéreo em expansão. Nos últimos anos, o setor beneficiou de maior acesso a aeronaves em regime de leasing e da descida das tarifas: entre 2011 e 2023, o preço médio real das passagens caiu 43,6%, segundo dados da IATA.
Atualmente, o país conta com 13 companhias aéreas, que têm vindo a atrair mais confiança dos investidores após a melhoria da classificação da Nigéria no Aviation Working Group, ligada à Convenção da Cidade do Cabo.
Propostas da COMAC
De acordo com Najomo, a COMAC ofereceu apoio em manutenção e formação às companhias nigerianas interessadas, bem como a possibilidade de contratos de dry lease (leasing sem tripulação).
O CEO da NG Eagle, Abdullahi Ahmed, já manifestou abertura para avaliar o C919 na expansão da sua frota, atualmente composta por três aeronaves, desde que haja certificação e garantias de suporte técnico.
Situação atual
O C919 só é operado por companhias chinesas.
O ARJ21 (C909), modelo regional da COMAC, já voa em três companhias no Sudeste Asiático.
Em 2025, os EUA suspenderam temporariamente a exportação dos motores CFM LEAP usados pelo C919, no contexto de tensões comerciais com a China.
