Barcelona e Madrid absorvem quase metade do valor; pacote inclui melhorias tecnológicas e de sustentabilidade

O governo espanhol apresentou um ambicioso plano de investimento no setor aeroportuário, no valor total de 12,9 mil milhões de euros, a ser implementado entre 2027 e 2031. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez durante uma visita ao Aeroporto de Alicante, na passada quinta-feira, 18 de setembro.

Segundo as autoridades espanholas, cerca de 10 mil milhões de euros do total previsto serão canalizados para operações aeronáuticas reguladas, enquanto o restante será aplicado em atividades comerciais e projetos de inovação tecnológica e sustentabilidade, com uma dotação específica de 1,5 mil milhões de euros.

Este pacote de investimentos será formalizado no “Documento de Regulación Aeroportuaria” (DORA III), que estabelece as necessidades do sistema aeroportuário espanhol num horizonte de cinco anos. A maioria dos aeroportos do país — incluindo os principais terminais internacionais — é gerida pela Aena, operadora pública com capital maioritariamente estatal, embora cotada em bolsa.

Barcelona e Madrid lideram o investimento

Os dois maiores aeroportos de Espanha, Barcelona-El Prat e Madrid-Barajas, vão absorver uma fatia significativa do investimento total — aproximadamente 5,6 mil milhões de euros.

No caso de Barcelona, estão previstos 3,2 mil milhões de euros para prolongar uma das pistas em 600 metros e construir um novo terminal satélite, com início das obras estimado para cerca de 2030. O aeroporto catalão, que em 2024 recebeu mais de 55 milhões de passageiros, aproxima-se rapidamente do seu limite teórico de capacidade, fixado nos 60 milhões.

Contudo, o projeto enfrenta resistência de setores ambientais e de algumas forças políticas, apesar de já ter sido discutido previamente com o governo regional da Catalunha.

Em Madrid, o aeroporto Adolfo Suárez Madrid-Barajas beneficiará de um investimento de 2,4 mil milhões de euros, com destaque para a ampliação dos terminais T4 e T4S (1,7 mil milhões) e a renovação dos terminais T1, T2 e T3 (700 milhões). O objetivo é aumentar a capacidade anual do aeroporto para 90 milhões de passageiros.

Aeroportos turísticos com reforço orçamental

Outros aeroportos situados em zonas de forte atratividade turística também serão contemplados com verbas significativas. Málaga receberá 1,5 mil milhões de euros para expandir as suas infraestruturas, Alicante terá um investimento de 1,1 mil milhões e Valência será reforçada com 400 milhões.

Nas Ilhas Canárias, os dois aeroportos da ilha de Tenerife também estão incluídos no plano: Tenerife Norte (TFN) receberá 550 milhões de euros e Tenerife Sul – Reina Sofia (TFS) terá uma dotação de 250 milhões.

Contexto de tensão com Ryanair

O anúncio do governo espanhol surge numa altura em que a transportadora aérea Ryanair decidiu reduzir significativamente a sua operação em vários aeroportos regionais espanhóis, alegando discordâncias com as taxas aeroportuárias cobradas pela Aena. A companhia irlandesa de baixo custo anunciou o corte de mais de um milhão de lugares e admitiu uma nova redução semelhante em breve.

As regiões mais afetadas por esta decisão são as Ilhas Canárias, a Galiza e a Cantábria. Em resposta, a Aena acusou a Ryanair de recorrer ao “chantagem” como tática negocial, defendendo a sua política tarifária como transparente e alinhada com as práticas do setor.