A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) anunciou que não vai avançar com a possibilidade de os aviões comerciais operarem com um piloto apenas.
A decisão resulta de um relatório independente, conduzido ao longo de três anos, que avaliou a viabilidade técnica, operacional e de segurança desta proposta. O documento conclui que as tecnologias atualmente disponíveis não permitem garantir o mesmo nível de segurança assegurado pelo modelo tradicional de dois pilotos.
Entre os principais riscos identificados estão a eventual incapacitação súbita do único piloto, a fadiga em voos de longo curso, a falta de redundância na tomada de decisões e a possibilidade de falhas inesperadas nos sistemas de bordo.
Apesar dos avanços registados na automação aeronáutica e no design dos cockpits, a análise sublinha que a presença de dois pilotos continua a ser considerada indispensável. Segundo a EASA, a redução da tripulação não é expectável pelo menos na próxima década.
A posição foi acolhida de forma positiva pela Associação Europeia de Pilotos (ECA), que representa milhares de comandantes e copilotos e que vinha alertando para os riscos de uma operação com um comandante apenas. Também a Airbus reiterou que os pilotos humanos são essenciais, defendendo que a tecnologia deve servir para apoiar e não substituir a sua função.
Com esta decisão, a EASA mantém de fora, para já, as propostas de operações com tripulação mínima estendida (eMCO), reafirmando que a segurança da aviação comercial assenta na redundância e na partilha de responsabilidades no cockpit – elementos garantidos apenas com dois pilotos presentes.
