Constituída em 19 de Maio de 1927 em Lisboa. Apesar da sua curta existência, ficou para a história por ter registado o primeiro avião civil do país e por ter iniciado as primeiras operações com passageiros em Portugal.

A companhia nasceu de uma parceria entre a alemã Junkers Luftverkehr A.G. e vários investidores portugueses. Entre os fundadores estavam António Alberto Eça de Queirós, J. Wimmer & Co., Willi Albert Grote e José Vieira da Fonseca. O capital inicial era de 50 000 escudos, rapidamente aumentado para 1 000 000 de escudos. A Junkers detinha 49 % das acções, cabendo os restantes 51 % aos sócios nacionais.

O Governo português não foi accionista nem financiador directo da empresa. O seu papel limitou-se a autorizar a constituição, registar o avião e tentar negociar acordos internacionais, nomeadamente com Espanha. Foi precisamente a falta de entendimento diplomático entre Lisboa e Madrid sobre direitos de tráfego aéreo que acabaria por inviabilizar o futuro da companhia.

Na prática, a actividade inicial concretizou-se através de uma parceria com a Unión Aérea Española, também ligada à Junkers. Entre 1927 e 1928, a SAP assegurou em Lisboa os serviços de terra da rota Lisboa–Madrid–Sevilha, que era voada por aviões da UAE. Esta fase terminou em Abril de 1928, quando a UAE foi integrada na CLASSA.

A fase autónoma da SAP começou em Maio de 1929, quando a companhia recebeu o seu único avião próprio: um Junkers F-13, número de série 2042, matrícula C-PAAC, baptizado “Lisboa”. Foi o primeiro avião civil registado em Portugal. O aparelho tinha apenas quatro lugares para passageiros e ficou ao comando do piloto português Amado de Cunha.

A partir de 10 de Junho de 1929, Amado de Cunha realizou voos de demonstração e passeios aéreos a partir de Lisboa. Os resultados foram significativos para a época: 1 026 passageiros transportados, 347 voos efectuados, mais de 20 600 quilómetros percorridos. Tratava-se de números expressivos num país que dava ainda os primeiros passos na aviação civil.

Nos anos 30 circularam rumores sobre a possível entrega de um Junkers Ju-52/3m à SAP. A aeronave, de maior capacidade, poderia ter dado nova vida ao projecto. No entanto, nunca foram encontradas provas documentais ou fotográficas que confirmem a sua presença em Portugal. Tudo indica que a hipótese foi equacionada mas nunca se concretizou.

A falta de acordo diplomático com Espanha para permitir voos regulares levou ao fim precoce das operações. Sem rotas internacionais e sem mercado interno que sustentasse a actividade, a SAP terminou os seus voos em 1930. O Junkers F-13 foi devolvido à Suécia em Julho desse ano, encerrando a sua curta carreira em Portugal.

Apesar de deixar de voar, a empresa não desapareceu de imediato. Em 1937, a Lufthansa assumiu a posição da Junkers e tornou-se accionista maioritária. A SAP passou então a actuar como representante da companhia alemã em Lisboa e como prestadora de serviços de terra. Durante a Segunda Guerra Mundial, manteve-se activa apenas nesse papel, sem qualquer avião próprio em operação.

Com o fim do conflito e a retirada da Lufthansa da Península Ibérica, a SAP foi definitivamente dissolvida em 1945. Nesse mesmo ano nascia a TAP – Transportes Aéreos Portugueses, que viria a consolidar o transporte aéreo nacional e ocupar o espaço deixado vago pela SAP.

A história da SAP foi breve mas pioneira. Foi a primeira companhia aérea portuguesa, operou o primeiro avião civil registado no país, assegurou os serviços da rota Lisboa–Madrid–Sevilha, transportou mais de mil passageiros num único ano.

Foi também um exemplo claro de como a aviação dependia, desde cedo, de enquadramento político e diplomático para poder prosperar.

Um voo curto, mas essencial, que abriu caminho para o desenvolvimento da aviação em Portugal.

Foto: Museu TAP