A Menzies Aviation Portugal, antiga Groundforce, afirmou nesta segunda-feira, 18 de agosto, que não realizou “qualquer acordo, negociação ou concessão” com o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e Afins (SIMA) que justificasse a suspensão do pré-aviso de greve nos aeroportos.

A declaração da empresa surge após um ofício enviado pelo SIMA, ao qual a agência Lusa teve acesso, em que o sindicato comunicava que os trabalhadores deixariam de realizar novas greves, referindo-se a um “entendimento que houve entre a Comissão Sindical do SIMA e os representantes da empresa no Ministério do Trabalho da Solidariedade e da Segurança Social com os representantes do ministério”.

Apesar de reconhecer com satisfação o cancelamento da paralisação, a Menzies sublinha que essa decisão “não foi o resultado de qualquer acordo, negociação ou concessão”. A empresa reiterou que a sua posição “mantém-se inalterada e não houve qualquer alteração nos termos, compromissos ou acordos já em vigor até ao final de 2029”.

Num comunicado enviado à agência Lusa, a Menzies reforçou que está “empenhada no diálogo construtivo, conduzido de boa-fé, e no cumprimento dos acordos formalmente negociados e assinados com os nossos parceiros, incluindo o SIMA”. A empresa destacou ainda que é “um ótimo lugar para se trabalhar” e garantiu que as greves já realizadas “tiveram um impacto mínimo”.

O pré-aviso de greve foi suspenso pelo sindicato no dia 13 de agosto, após paralisações realizadas entre 25 e 28 de julho e de 08 a 11 de agosto. Os trabalhadores reivindicavam, entre outros pontos, o fim dos salários base abaixo do salário mínimo, aumentos salariais e o pagamento devido por trabalho noturno.

Entretanto, no sábado, 16 de agosto, o SIMA voltou a criticar a postura da empresa e do CEO da TAP, afirmando que a “forma inadmissível como a administração da SPdH/Menzies e o CEO [diretor executivo] da TAP conduziram as últimas tentativas de diálogo” motivou um novo posicionamento da entidade sindical.

Segundo o SIMA, foi-lhes passada uma “mensagem de que existia disponibilidade para resolver o conflito laboral”, o que fez com que o sindicato, “em boa-fé”, decidisse suspender o pré-aviso de greve e aceitasse uma reunião direta com a SPdH/Menzies. Contudo, após essa iniciativa, os representantes da empresa teriam voltado a adotar uma posição inflexível, com o discurso de que “nada será negociado até 2026”.

O sindicato garantiu que vai manter a sua luta por “salários justos, dignos e legais para todos os trabalhadores da SPdH/Menzies”.

Além do último fim de semana prolongado, novas paralisações estavam previstas para os períodos entre 22 e 25 de agosto, e entre 29 de agosto e 01 de setembro.