Decisão obriga assistentes de bordo a regressar ao trabalho, apesar da oposição do sindicato
A Air Canada anunciou que irá retomar os voos esta segunda-feira, 17 de agosto, após uma intervenção do governo canadiano que forçou os assistentes de bordo em greve a regressarem ao trabalho. A medida surge na sequência de uma ordem emitida pelo Conselho Canadiano de Relações Laborais (CIRB), ao abrigo do Código Laboral do Canadá, que colocou fim à paralisação iniciada no sábado.
A decisão do CIRB, tomada com base numa diretiva da ministra federal do Trabalho e das Famílias, Patty Hajdu, determinou que o processo de negociação entre a transportadora aérea e o sindicato Canadian Union of Public Employees (CUPE) seja remetido para arbitragem vinculativa final, encerrando assim o conflito laboral que levou à suspensão de mais de 700 voos.
“A Air Canada foi instruída a retomar as operações e todos os assistentes de bordo da Air Canada e da Air Canada Rouge devem regressar ao serviço até às 14h00 (hora de Ottawa) desta segunda-feira, 17 de agosto”, indicou um porta-voz da companhia aérea.
A CUPE, que representa os assistentes de bordo da companhia, reagiu com veemência à decisão, acusando o governo de agir em benefício de uma empresa “altamente lucrativa” e de trair uma força de trabalho maioritariamente feminina. O presidente nacional do sindicato, Mark Hancock, garantiu que a luta vai continuar.
“Não desistiremos. Vamos continuar a lutar nas linhas de piquete, nas ruas, na mesa de negociações, nos tribunais e no Parlamento, até que acabe a injustiça do trabalho não remunerado”, declarou.
Segundo a CUPE, os assistentes de bordo trabalham até 35 horas semanais não pagas, realizando tarefas essenciais, e os seus salários não acompanham a inflação, os padrões da indústria nem o salário mínimo federal.
Candace Rennick, secretária-tesoureira nacional do sindicato, criticou duramente a intervenção governamental: “É uma traição descarada. Uma utilização vergonhosa do poder que favorece o lucro das empresas e ignora o sofrimento das trabalhadoras.”
A ministra Patty Hajdu justificou a ação do governo afirmando que o impasse entre as partes ameaçava o normal funcionamento da economia canadiana e o transporte de passageiros e carga essenciais. “Num ano já marcado por perturbações e incertezas, este não era o momento para mais interrupções”, sublinhou.
A greve foi inicialmente convocada a 16 de agosto devido à recusa da Air Canada em melhorar as condições salariais dos assistentes de bordo. Apesar do regresso forçado ao trabalho, o descontentamento permanece e o conflito promete não ficar por aqui.
