A Boeing anunciou a entrega de 60 aeronaves no mês de junho, o que representa um crescimento de 27% face ao mesmo período do ano anterior. Entre os aviões entregues, oito foram destinados a operadores chineses — marcando a retoma das entregas ao país asiático, suspensas desde abril devido a tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China.

A proibição por parte das autoridades chinesas surgiu na sequência de uma escalada tarifária entre as duas potências, que afectou negativamente o calendário de entregas da construtora norte-americana. No entanto, em maio, um acordo provisório levou Pequim a levantar a restrição, permitindo o envio das primeiras unidades em meses.

O regresso da Boeing ao mercado chinês é visto como um passo importante na recuperação financeira da empresa, que tem vindo a enfrentar desafios significativos nos últimos anos, incluindo problemas na produção, atrasos e elevados níveis de endividamento. Como grande parte do pagamento das aeronaves ocorre no momento da entrega, o aumento deste volume é crucial para a estabilização financeira da fabricante.

Entre as 60 aeronaves entregues em junho, contam-se 42 unidades do 737 MAX, nove do modelo 787 Dreamliner, quatro cargueiros 777 e cinco aviões do tipo 767 — três dos quais serão convertidos em aviões de reabastecimento aéreo KC-46 pela divisão de defesa da Boeing.

A Southwest Airlines foi um dos principais clientes no mês, recebendo 10 aviões 737 MAX, cinco dos quais foram posteriormente entregues a companhias chinesas. As restantes três entregas para a China incluíram um 787 e dois cargueiros 777.

Durante o primeiro semestre de 2025, a Boeing já entregou 280 aeronaves no total: 206 unidades do 737 MAX, 37 Boeing 787, 20 Boeing 777, 14 Boeing 767 e três modelos mais antigos do 737 convertidos para uso militar como P-8 Poseidon, aeronaves de patrulha marítima.

Em relação às encomendas, a fabricante norte-americana registou em junho 116 pedidos, dos quais 54 foram para o 737 MAX e 62 para o 787. A Alaska Airlines encomendou 12 aviões do modelo 737, enquanto a British Airways formalizou um pedido de 32 unidades do 787. Por outro lado, a Singapore Airlines anulou três encomendas do 737 MAX no mesmo período.

Embora o volume de encomendas de junho tenha ficado abaixo dos níveis de maio — que representaram a sexta maior contagem mensal da história da Boeing — o total acumulado no primeiro semestre do ano já atinge 668 encomendas brutas, resultando em 625 pedidos líquidos após ajustamentos por cancelamentos e alterações.