O grupo franco-holandês Air France-KLM anunciou a intenção de aumentar a sua participação na companhia aérea escandinava SAS para 60,5%, reforçando a tendência de consolidação do setor da aviação europeia.
Atualmente detentor de 19,9% da SAS, o grupo vai adquirir as participações dos principais acionistas Castlelake e Lind Invest. A transação, sujeita à aprovação das autoridades reguladoras, deverá estar concluída na segunda metade de 2026.
Segundo a Air France-KLM, o valor final do investimento será determinado com base no desempenho financeiro mais recente da SAS, incluindo EBITDA e dívida líquida, embora os números concretos não tenham sido divulgados.
O diretor financeiro do grupo, Steven Zaat, indicou que a operação será financiada através de liquidez existente ou de uma emissão de obrigações simples, sublinhando que não afetará os esforços de redução da dívida híbrida do grupo. “Temos margem suficiente para isso”, afirmou.
Apesar do anúncio, as ações da Air France-KLM mantiveram-se estáveis nas primeiras horas de negociação.
Consolidação estratégica no setor europeu
O negócio representa um passo significativo na consolidação da aviação europeia, numa altura em que os operadores procuram ganhar escala e eficiência para enfrentar a concorrência das companhias norte-americanas e do Médio Oriente.
“Com esta nova participação acima dos 50%, poderemos realmente aproveitar todas as sinergias e oferecer esses benefícios aos clientes”, disse o CEO da SAS, Anko van der Werff, à estação de televisão dinamarquesa TV2. Até agora, embora a Air France-KLM já detivesse uma participação minoritária, as duas empresas continuavam a atuar como concorrentes diretas.
A SAS, que saiu do processo de proteção contra credores (Chapter 11) em agosto de 2024, registou uma recuperação robusta. Em 2023, a Air France-KLM já tinha investido cerca de 144,5 milhões de dólares para adquirir a sua participação inicial, com o objetivo de fortalecer a sua presença na Suécia, Dinamarca e Noruega.
O CEO do grupo, Ben Smith, elogiou o desempenho recente da SAS e manifestou confiança no futuro da transportadora: “Após uma reestruturação bem-sucedida, a SAS demonstrou um desempenho impressionante. Acreditamos que o seu potencial continuará a crescer com uma integração mais profunda no grupo Air France-KLM.”
A companhia escandinava opera atualmente com 138 aeronaves e transportou mais de 25 milhões de passageiros no ano passado, gerando receitas de 4,1 mil milhões de euros.
Impactos e perspetivas
Analistas do JPMorgan consideram a operação positiva: “A SAS oferece um acesso mais profundo a uma região rica em PIB na Escandinávia. Esta aquisição abre a porta para sinergias de custos adicionais e beneficia todo o setor, mesmo não sendo transformadora em termos de dimensão.”
O grupo Air France-KLM passará a deter a maioria dos lugares no conselho de administração da SAS, enquanto o Estado dinamarquês manterá a sua participação de 26,4% e respetiva representação no conselho.
A operação insere-se num movimento mais amplo de fusões e aquisições no setor da aviação europeia. A Lufthansa adquiriu recentemente 41% da italiana ITA Airways e investiu também na Air Baltic. Por sua vez, o governo português continua o processo de privatização da TAP, enquanto se mantêm as negociações em torno da espanhola Air Europa.
A integração da SAS no grupo Air France-KLM poderá marcar uma nova etapa na reorganização do mapa aéreo europeu, reforçando as ligações e a eficiência operacional numa das regiões mais estratégicas do continente.
