A incerteza política em Portugal deverá resultar no adiamento da venda da TAP, um processo que o Governo pretendia avançar nos próximos meses. Fontes próximas ao tema indicaram à Bloomberg que a instabilidade provocada pela possível convocação de eleições antecipadas levará a uma suspensão temporária da operação.

Nem o Ministério das Finanças nem a TAP se pronunciaram sobre o assunto.

Na próxima semana, será votada uma moção de confiança ao Governo. Caso seja rejeitada, o Executivo cairá, abrindo caminho para eleições que, segundo o Presidente da República, poderão ocorrer em maio. Durante este período de gestão governativa, a privatização da companhia aérea ficará em suspenso até que um novo Governo tome posse.

O plano inicial previa que o processo avançasse em março, com a aprovação de um decreto-lei que definiria as condições da alienação, incluindo a percentagem do capital a ser vendido. A intenção era concluir a operação até ao final do ano ou em 2026. No entanto, há divergências dentro do PS sobre a extensão da privatização: enquanto o primeiro-ministro defende a venda total da empresa, o partido tem manifestado oposição à alienação da maioria do capital.

Apesar do contexto de incerteza, a TAP continua a atrair interesse de grandes grupos da aviação europeia. Air France-KLM, Lufthansa e IAG já demonstraram intenção de adquirir participação na companhia e afirmam estar atentas à evolução da situação política.