O Presidente da República de França, Emmanuel Macron, defendeu na sexta-feira, 28 de fevereiro, uma abordagem inovadora para uma parceria entre a Air France e a TAP, cuja privatização já foi anunciada pelo Governo liderado por Luís Montenegro.
“Queremos encontrar uma forma inovadora de casamento entre a Air France e a TAP”, declarou Macron durante o encerramento do fórum luso-francês, realizado no Palácio da Bolsa, no Porto. Esta intervenção ocorreu no segundo e último dia da sua visita de Estado a Portugal.
Perante um público composto por empresários de diversos setores, o chefe de Estado francês, acompanhado pelo primeiro-ministro português, sublinhou a intenção de fortalecer a cooperação no setor dos transportes, com especial enfoque nas companhias aéreas.
No dia 12 de fevereiro, o ministro português das Infraestruturas reafirmou que a intenção do Governo é vender a totalidade da TAP. No entanto, manifestou abertura para um diálogo próximo com o Partido Socialista e para discutir a percentagem de privatização.
“Não há qualquer dúvida, a nossa posição é vender 100% da TAP”, afirmou Miguel Pinto Luz no Parlamento, ao responder a questões levantadas pelo partido Iniciativa Liberal.
O governante explicou ainda que o processo de privatização encontra-se em fase de análise interna e que, posteriormente, será publicado um decreto-lei com as diretrizes da venda, à semelhança do que foi feito pelo anterior Governo socialista em dezembro de 2023, mas cujo decreto foi vetado pelo Presidente da República.
“Desta vez, queremos que o processo seja o mais transparente e aberto possível”, garantiu o ministro.
A agência financeira ‘Bloomberg’ avançou que o Governo português estuda a possibilidade de vender, no mínimo, 49% do capital da TAP. O processo de privatização deverá arrancar em março e poderá estar concluído até meados de 2026.
Nos últimos tempos, o Governo tem mantido encontros com potenciais interessados na compra da companhia aérea portuguesa. Esta reprivatização estava inicialmente prevista para 2024 pelo anterior executivo socialista, mas foi suspensa devido à mudança de governo.
Os três maiores grupos aéreos europeus – Lufthansa, Air France-KLM e IAG – já demonstraram publicamente interesse na operação.
O ministro Miguel Pinto Luz referiu ainda que o ritmo do processo será acelerado após a aprovação do Orçamento do Estado, prevista para o final de novembro. Destacou também que, embora exista consenso sobre a necessidade de privatizar a TAP, a percentagem exata de venda continua a ser um ponto de discussão.